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20 de agosto de 2009

No final do século passado, eu tive meu momento “geração MTV”. Passei bastante tempo assistindo aquela salada de fruta musical. De Onibusfobia à Pretty Fly (for a white guy). Das tentativas de discussão de Cazé Peçanha no saudoso Teleguiado até as futilidades do bizarro Garganta e Torcicolo. Foi um curto período de vida, mas o suficiente para conhecer seu poder de influência.

De lá pra cá, muita coisa mudou na grade de programação do canal porém um detalhe ainda persiste: por mais influência que o canal tenha sobre o público jovem, o canal não consegue obter um grande ibope junto ao público e as demais mídias. Com a exceção de um dia: a entrega dos prêmios VMB (Video Music Bawards). Com um alto investimento na estrutura do evento, a MTV Brasil recebe cantores, atores, atletas, comediantes e qualquer outro profissional que possa interessar a seu público. Ou não.

Com a intenção original de premiar os melhores nomes da música nacional (entenda isso como você quiser), os prêmios tiveram que mudar com o passar do tempo. Refletindo as mesmas mudanças da programação da TV, foram criadas novas categorias. Muitas delas ligadas à internet. Uma das novidades da premiação deste ano é: Melhor Twitter do ano.


Boa parte dos indicados não foram bem aceitos pelos próprios usuários do Twitter (você pode ver a lista neste link). Além da categoria ser tão relevante quanto o Fala Que Eu Te Escuto, os indicados são tão fracos quanto os argumentos de defesa da Rede Record. Mas... o objetivo principal deste texto não é julgar o mérito das indicações das micro-celebridades: Danilo Gentili, MariMoon e do Marcos Mion. Eles estão dentro do que se estipula ser a audiência do canal. O problema são os outros dois concorrentes.

É de conhecimento público que, tanto a Twittess quanto o Mano Menezes, só conseguiram a atual quantidade de seguidores graças aos tão criticados scripts. No caso do Twitter do técnico do Corinthians, o uso foi mais baixo: criando perfis falsos somente para segui-lo e aumentar seu “status de relevância”. Existem vários textos comentando o ocorrido (como este).

Mas este caso, que até pouco tempo atrás era apenas criticado, agora chegou a um novo patamar: os “silicones de Twitter” passaram a render prêmios! O serviço não serve apenas para publicar o que se pensa, ele pode oferecer fama se você for bem seguido!

O problema agora é que a busca por estes tais scripts irá aumentar. Se alguém ainda tinha dúvida sobre a Orkutização do Twitter, espere os novos capítulos. A busca pela maior visualização será buscada não apenas por usuários conhecedores do português: uma invasão de especialistas na fina arte do miguxês, tentando levar, à toda face da Terra, suas boas novas também virão. Os usuários normais sentirão na pele o que as Salsas fazem com a Juliana Sardinha.

Se os criadores do Twitter já estão tendo dificuldade de manter o serviço no ar pelo enorme crescimento de acessos, com certeza a situação não ficará melhor com o crescimento do interesse por essas técnicas alternativas de crescimento. A indicação para a premiação foi um grande erro da MTV. Se fosse para mensurar essa vergonha em uma escala, eu diria: NX.

Atualizando: O holofote em cima dos scripts já deu sua primeira conseqüência. Novo perfil falso: scripttes. Com direito a campanha.

Tirinha: Nadaver

17 de maio de 2009

Lendo o Tech Crunch, eu acabei encontrando a história do Sockington. Vocês o conhece? Não? Ele ganhou grande respeito e atenção na internet. Neste momento em que escrevo este post, cerca de 500.000 pessoas estão atentas aos seus comentários no Twitter. Para conseguir tamanha quantidade de seguidores, ou você é uma celebridade hollywoodiana ou um personagem fake de um. Neste caso, ele é um personagem falso sim, mas de um gato.

Jason Scott, o dono do gato, criou o perfil inspirado no seu felino de estimação e começou a twittar com a perspectiva do gato. Não existe nenhuma mensagem relevante (assim como os “grandes” da lista do Twitter). Mas, pela impressionante quantidade de seguidores, dá para ver que deu certo. Alias, conseguiu atingir esta marca com apenas três meses!

Já dizia o velho ditado: “Aonde a vaca vai, o boi vai atrás”. Neste caso, vários gatinhos começaram a surgir e segui-lo (alguém ainda tem dúvida da orkutização do Twitter?) . Olhando a página principal do Twitter do Sockington, dá para ver que ele está “acompanhando” o que vários outros gatos estão postando. Vixi... eu sei, é muita loucura para mim também.

Mas isso não é exclusividade dos felinos. Papagaios, cavalos, cachorros e todas as espécies de animais estão ligadas na inclusão digital (alias, vale lembrar que alguns twittam melhor do que muita gente).
Mas qual é a razão das pessoas criarem uma versão Second Life para seus animais? E o pior, encarnar este personagem! Na minha cabeça só vem uma coisa: elas não os encaram como simples animais de estimação, mas como gente também. Pessoas que possuem necessidades especiais (estou falando dos animais!). Já reparou como algumas donas conversam com seus cachorros? “oi meu nenêzinho fofinho! Qué comidinha? Qué?”. Já que a acessibilidade na internet não chegou neste nível, elas estão dando uma ajudazinha.

Esta é a parte que mais estranha para mim. Se não bastasse as Redes Sociais para animais (sim! Já existe espaço na web só para eles), os donos sentam na frente dos seus computadores para ficar imaginando o que seus bichinhos estariam pensando! Olha... sinceramente, é muita loucura pra minha cabeça. Agora, mais do que nunca, venho a concordar com a frase do Paulo Duarte (agora em um contexto mais ampliado): "Twitter é o hospício da internet: você fala sozinho e não se assusta quando alguém responde".


Ilustrações: Tech Crunch, Terra tecnologia, Contraditorium, Pet Rede

1 de maio de 2009

Quarta li uma notícia na Folha Online que me chamou a atenção. Segundo a notícia, mais de 60% dos usuários "largam" o Twitter depois de um mês. David Martin, do Instituto Nielsen Online, diz: “O Twitter tem obtido um bom desempenho nos últimos meses, mas não será capaz de sustentar seu crescimento meteórico sem estabelecer um alto nível de fidelidade por parte dos usuários”.

Estava pensando sobre a razão deste número tão alto de desistência. Cheguei a estas cinco razões:

  1. O Twitter não é um serviço tão simples assim: Lembro muito bem de quando ouvi falar pela primeira vez deste site. Na época, a proposta ainda era: “diga o que você está fazendo”. Não fazia muito sentido para mim. Mesmo com a mudança da proposta do serviço, a visão para quem entra ainda é bem estranha. A simpatia não é instantânea, como acontece em outros sites.
  2. Onde estão os amigos?: Não sei se é só comigo, mas tenho dificuldade de encontrar pessoas conhecidas no Twitter (é claro, minha cidade ainda está na era do Orkut). É irreal comparar a base de usuários do serviço do Google com as demais redes sociais. Este pode ser um fator de dispersão de usuários. Não deveria ser. Conhecendo melhor o Twitter, entendemos que, assim como blogs, estamos lá para conhecer opiniões de pessoas que não conhecemos. Aumentar a rede de relacionamentos. Mas até chegar nesta conclusão...
  3. Postando mensagens e ninguém para ler: Adicionado ao fato acima citado, temos ainda um certo constrangimento ao escrever nossos twitts no início. Existem poucas pessoas para ler. A sensação de estar escrevendo e que ninguém lerá, não é fácil (todos os blogueiros já passaram por isso).
  4. A mentalidade do Twitter 1.0: Não é todo mundo que tem habilidade com as palavras. A forma de comunicação no Twitter é diferente da utilizada em redes sociais como Myspace e Facebook. As mensagens mais comentadas exigem, geralmente, uma boa articulação de idéias.
  5. A diferença entre RSS e Twitter: Algumas pessoas da faculdade utilizam o serviço apenas para ler as mensagens das pessoas que seguem. Tudo bem, reconheço que também já cometi este erro. Para exemplificar isso, imagine-se sentado em um bar com seus amigos e você apenas ouvindo tudo o que eles estão falando, sem interagir, sem opinar. Não tem a menor graça! Digo mais: O elemento “tempo” das mensagens do twitter não combina agregadores de feeds. Explico: As mensagens do serviço de microblogging possuem característica de expressar o que está acontecendo agora (não que seja uma lei universal, mas é a tendência). Algumas mensagens não farão o menor sentido se forem lidas horas depois.
Existe alguma forma de retirar estas barreiras aos usuários novatos? Sinceramente, não sei. Tudo é uma questão de se acostumar. Depende de insistência mesmo e, logo após um tempo, você simplesmente veste a camisa do site.
Imagem: via Tiago Dória

16 de março de 2009



Procurar no Twitter
O que estiver a acontecer agora.


Pesquisa avançada


Nesses últimos meses, muito se tem discutido sobre a possível ameaça do Twitter Search frente ao todo poderoso Google. Alias, não apenas o sucesso do buscador, mas do próprio Twitter. A especulação neste setor é grande. Já existem notícias sobre uma possível compra do serviço de microblogging. Em um texto recente, Fábio Ricotta comentou sobre as cinco razões para Google comprar o Twitter. Bem interessante os pontos levantados.

Mas eu não quero falar sobre isso. Quero analisar pelo ponto de vista da busca. Quais dos dados pesquisados são mais relevantes? Na minha opinião, a grande diferença entre os dois serviços é uma diferença temporal: enquanto os dados do Twitter Search são focados nas atividades que estão acontecendo agora, o Google, por outro lado, é muito mais eficaz nas notícias que ganharam significância com o passar do tempo. Eu já fiz, por várias vezes, pesquisas no Google por eventos que estavam acontecendo no exato momento e o resultado foi, por muitas vezes, desastroso.

Mas, e a qualidade da informação do Twitter Search? Vamos analisar os dois lados da moeda. O lado bom é a maior possibilidade de encontrar o dado desejado, afinal, são pessoas destacando informações, não máquinas. Vejamos esta opinião do Mr. Manson, nos comentários deste post do Tiago Dória:
"Acho que o lance é encarar os usuários do twitter como “bots indexadores” da “vida real”, longe da tela do computador. O bot do Google não chega nas palestras da Campus Party, nas boites ou alagamentos das cidades. Os “bots do twitter” (nós) chegariam (principalmente se ele se popularizar)"
Mas e o lado ruim? Nem todos os usuários estão cientes da importância desta ferramenta. Para que resultados relevantes sejam indexados, existe a necessidade de twittes de qualidade. Se, por exemplo, faço uma pesquisa sobre o anime Death Note, eu apenas encontrarei mensagens que expressam o nome deste desenho. Uma mensagem do tipo: “Olha que legal este vídeo httpEndereçoDoVideo”, não será indexada. A correta descrição da informação cabe ao usuário.

Ainda existe o problema da futilidade. A maior conquista do Twitter foi sua reinvenção. A idéia inicial era: digite uma mensagem sobre o que você está fazendo agora. Por que me interessaria saber que um sujeito, lá no Acre, acabou de tomar sorvete? Ou que ele está indo tomar banho agora? O que aconteceu foi que os usuários começaram a olhar esta ferramenta com outros olhos: “e se eu utilizasse esse meu espaço para colocar um link interessante, uma dica de filme ou qualquer comentário que só eu posso fornecer?”. Com isso a informações passaram a ter mais qualidade. Mas, infelizmente, nem todos conseguem ver isso. Não estou dizendo que é errado twittar assuntos próprios. O problema é quando tais mensagens ganham mais destaque do que é necessário.

Se o serviço do Twitter Search continuar ganhando destaque, os usuários vão começar a tomar consciência disso. Eu mesmo, utilizo muito este sistema de busca. Existem muitos benefícios. Principalmente agora, com este addon que foi lançado para o Firefox. Ele se chama Twitter Search Results on Google. Com ele, uma pesquisa é mostrada com o resultado dos dois buscadores juntos. Vale a pena dar uma olhada.

Nota 1: Agradecimento ao Fliscorno pelo buscador no início do post.
Nota 2: Para quem quiser acompanhar minhas mensagens no twitter, este é o endereço: Twitter.com/kleber7777. Diferentemente do blog, meu foco lá é tratar mensagens com muita informalidade.